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Estadiamento do câncer gástrico (ou câncer do estômago): por que ele muda tudo?

Tempo de Leitura: 4 min
Postado em: 13/08/26
Atualizado em 16/09/2026
Sumário

Descubra por que o estadiamento do câncer gástrico é uma das etapas mais importantes após o diagnóstico. Entenda como ele influencia o tratamento, o prognóstico e as chances de controle da doença. Entenda mais sobre esse assunto!

Ilustração anatômica do sistema digestivo com esôfago, estômago e intestinos visíveis, com uma área iluminada em destaque no estômago.

O câncer gástrico é um tumor maligno que se desenvolve nas células do estômago e continua entre as principais causas de morte por câncer no mundo. Após a confirmação do diagnóstico, uma das etapas mais importantes é determinar a extensão da doença, o quanto a doença está ou não disseminada, esse processo é conhecido como estadiamento.

Essa avaliação permite identificar o quanto o tumor cresceu, se houve comprometimento de linfonodos e se existem metástases em outros órgãos. Essas informações são fundamentais para definir a estratégia terapêutica mais adequada e estimar o prognóstico. 

Neste artigo, abordaremos como é feito o estadiamento do câncer gástrico, o que significa cada estágio da doença e como o estadiamento define o tratamento e o prognóstico. Leia até o final e saiba mais!

Como é feito o estadiamento do câncer gástrico?

Após a confirmação do diagnóstico por endoscopia digestiva alta com biópsia, inicia-se o estadiamento do câncer gástrico. O objetivo dessa etapa é determinar a extensão da doença, identificar possíveis disseminações e fornecer informações essenciais para o planejamento terapêutico. 

Quanto mais preciso for o estadiamento, maiores são as chances de indicar o tratamento mais adequado para cada paciente.

O sistema mais utilizado é o TNM, desenvolvido pela Associação Internacional de Câncer Gástrico e adotado pela União Internacional Contra o Câncer (UICC) e pelo American Joint Committee on Cancer (AJCC), que avalia três componentes principais:

  • Tumor: profundidade da invasão da parede do estômago;
  • Linfonodos: presença e quantidade de linfonodos acometidos;
  • Metástase: existência ou ausência de disseminação para órgãos distantes.

Para obter essas informações, diferentes exames podem ser necessários, conforme cada caso:

  • Tomografia computadorizada de tórax, abdome e pelve;
  • Ultrassonografia endoscópica, principalmente nos tumores iniciais;
  • Laparoscopia diagnóstica para pesquisa de implantes na camada interna do abdome (peritônio), que por vezes são ocultos por não aparecerem nos exames citados.
  • PET-CT em situações específicas, quando há dúvida sobre metástases.

A integração dos achados clínicos, endoscópicos, radiológicos e anatomopatológicos permite definir o estágio da doença com maior precisão. 

Esse processo é indispensável para estabelecer a melhor estratégia terapêutica e evitar tanto tratamentos insuficientes quanto intervenções desnecessariamente agressivas.

O que significa cada estágio da doença?

Depois da avaliação pelo sistema TNM, o câncer gástrico é agrupado em estágios que variam de 0 a IV. Essa classificação facilita a compreensão da extensão da doença e orienta a definição do tratamento mais indicado. De modo geral, quanto mais precoce o estágio, maiores são as possibilidades de tratamento curativo e melhores os resultados em longo prazo.

Os principais estágios são:

  • Estágios I e II: doença localizada, com menores profundidades de invasão e comprometimento de poucos linfonodos;
  • Estágio III: maior invasão da parede gástrica e/ou acometimento mais extenso dos linfonodos regionais;
  • Estágio IV: presença de metástases em órgãos distantes ou disseminação na camada interna do abdome, o peritônio. 

É importante destacar que pacientes classificados no mesmo estágio podem apresentar características biológicas diferentes. Atualmente, fatores como perfil molecular (genético), determinam a possibilidade de usar drogas mais recentes através de anticorpos específicos e/ou imunoterapia. Alguns dos perfis moleculares estudados são o HER2, a instabilidade de microssatélites (MSI), a presença de Claudina 18.2 e expressão de PD-L1, eles também podem influenciar as decisões para o tratamento.

Assim, o estágio representa um dos pilares da avaliação clínica, mas deve sempre ser interpretado em conjunto com as características individuais do paciente e do tumor para proporcionar um tratamento personalizado.

Como o estadiamento define o tratamento e o prognóstico?

O estadiamento do câncer gástrico é determinante para a escolha da estratégia de tratamento. Cada estágio possui objetivos diferentes, que podem variar desde a cura até o controle da doença e a melhora da qualidade de vida. Dessa forma, conhecer a extensão do tumor evita tratamentos inadequados e permite um planejamento mais eficiente.

De maneira geral, as principais possibilidades incluem:

  • Cirurgia com intenção curativa para doença localizada
  • Quimioterapia perioperatória em tumores localmente avançados ressecáveis
  • Quimiorradioterapia em situações específicas e conforme protocolos institucionais
  • Terapias-alvo e imunoterapia para pacientes elegíveis, conforme características moleculares do tumor
  • Cuidados paliativos para controle de sintomas e manutenção da qualidade de vida nos casos avançados

Além de orientar o tratamento, o estadiamento fornece informações importantes sobre o prognóstico. Em estágios iniciais, as taxas de sobrevida são significativamente maiores quando comparadas às fases avançadas da doença. Por isso, o diagnóstico precoce e o correto estadiamento têm impacto direto nos resultados clínicos.

A avaliação deve ser realizada por uma equipe multidisciplinar, composta por gastroenterologista, cirurgião do aparelho digestivo ou cirurgião oncológico afeito ao tratamento dessa doença, oncologista clínico, radiologista e patologista. Essa integração garante decisões mais precisas, individualizadas e alinhadas às melhores evidências científicas disponíveis.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O que é o estadiamento do câncer gástrico?

É a avaliação que determina a extensão do câncer, considerando o crescimento do tumor, o comprometimento dos linfonodos e a presença de metástases.

2. Quais exames são usados no estadiamento?

Podem ser utilizados tomografia, ultrassonografia endoscópica, laparoscopia diagnóstica e, em situações específicas, PET-CT.

3. O que significa câncer gástrico em estágio IV?

O estágio IV indica que a doença apresenta metástases em órgãos distantes ou disseminação pelo peritônio.

4. O estágio do câncer influencia o tratamento?

Sim. O estadiamento ajuda a definir estratégias como cirurgia, quimioterapia, terapias-alvo, imunoterapia ou cuidados paliativos.

5. Por que o estadiamento é importante?

Porque permite planejar o tratamento de forma mais adequada e fornece informações importantes sobre o prognóstico do paciente.

Dr. Paulo Kassab Imagem do Doutor CRM 42.138

Dr. Paulo Kassab

CRM:  42.138    
RQE: 45.777 - Cirurgia Geral
RQE: 64.606 - Cirurgia do Aparelho Digestivo
Sou graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Santo Amaro, Mestre em Medicina(Cirurgia) pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Doutor em Medicina (Cirurgia) e possuo Livre Docência pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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